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FGC Muda em 2026: O Fim dos CDBs Pagando 120% do CDI?

Se você investe em CDB, principalmente aqueles que pagam 110%, 115%, até 120% do CDI, precisa prestar atenção no que vem por aí.

A partir de junho de 2026, entram em vigor novas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). E essas mudanças vão mexer — e muito — com o mercado de renda fixa.

A boa notícia? O sistema financeiro fica mais seguro. A má? Aqueles CDBs gordos de bancos pequenos vão ficar bem mais raros.

Vamos entender o que muda, por que isso aconteceu, e principalmente: o que você precisa fazer AGORA.

O Que É o FGC Afinal?

Antes de falar das mudanças, vamos nivelar o básico.

O FGC é tipo um “seguro” dos seus investimentos em renda fixa. Se o banco quebrar, o FGC te devolve até R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira.

Isso cobre:

  • CDB
  • LCI e LCA
  • Poupança
  • LC (Letra de Câmbio)
  • Depósitos à vista

O FGC foi criado em 1995, depois de algumas crises bancárias que deixaram investidor na mão. A ideia era simples: proteger quem investe e manter a confiança no sistema financeiro.

E funciona bem. Quando um banco quebra, o FGC entra, paga os investidores (dentro do limite), e pronto. Todo mundo fica mais tranquilo.

Por Que o FGC Está Mudando Agora?

Aqui entra a polêmica.

Nos últimos anos, principalmente bancos pequenos começaram a usar o FGC como ferramenta de marketing.

A lógica era essa: “vem investir aqui que a gente paga 120% do CDI e se der ruim, o FGC te cobre até R$ 250 mil”.

E funcionou. Muita gente migrou pros bancos menores atrás desses rendimentos altos.

O problema? Pra conseguir pagar 120% do CDI, esses bancos precisavam investir em operações mais arriscadas. Tipo precatórios, operações de crédito duvidosas, ativos com alta volatilidade.

Traduzindo: o banco pegava SEU dinheiro, prometia 120% do CDI, e botava em investimento arriscado pra tentar honrar essa promessa.

Caso Banco Master

O exemplo mais recente foi o Banco Master.

O banco captava grana oferecendo CDB a 120% do CDI. Usava o FGC como atrativo (“tá garantido até R$ 250 mil, relaxa”). E investia em precatórios e outras operações de alto risco.

Resultado? Quando o mercado apertou, o banco teve problemas. Investidores tentaram resgatar e não conseguiram sem perder dinheiro. O FGC teve que entrar pra socorrer todo mundo.

Foi aí que o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional falaram: “chega, vamos botar ordem nisso”.

O Que Muda a Partir de Junho de 2026?

O CMN (Conselho Monetário Nacional) aprovou três mudanças principais:

1. Contribuição Adicional Dobrada

Bancos pagam uma taxa mensal pro FGC (é assim que o fundo se mantém).

Quando um banco capta MUITO dinheiro via produtos garantidos pelo FGC (tipo CDB), ele paga uma contribuição adicional.

Antes: Taxa adicional de 0,01% quando ultrapassava 75% de captação garantida pelo FGC.

Agora (2026): Taxa adicional de 0,02% (DOBROU) quando ultrapassar 60% de captação garantida.

Traduzindo: ficou mais caro pro banco pequeno ficar oferecendo CDB com taxa alta. O gatilho dispara mais cedo (60% ao invés de 75%), e a taxa é maior.

2. Limite de Captação Caiu

Bancos altamente alavancados vão ter uma limitação extra.

Nova regra: Se o banco captar via FGC um valor maior que 10 vezes o patrimônio líquido dele, o excedente TEM QUE ser investido em títulos públicos federais.

Isso limita a capacidade do banco de pegar seu dinheiro e meter em operação arriscada.

Exemplo prático:

  • Banco tem patrimônio líquido de R$ 500 milhões
  • Capta R$ 6 bilhões via CDB
  • Passou de 10x (10 x 500 milhões = 5 bilhões)
  • O R$ 1 bilhão excedente TEM QUE ir pra Tesouro (baixo risco, baixo retorno)

Resultado? Banco não consegue mais pagar 120% do CDI porque não pode aplicar tudo em operação de alto risco.

3. Garantia Por Conglomerado (Isso Já Valia)

Essa não é nova, mas muita gente não sabe:

O limite de R$ 250 mil é por conglomerado financeiro, não por banco individual.

Se você tem R$ 200 mil no Banco A e R$ 100 mil no Banco B, mas os dois fazem parte do mesmo grupo, sua garantia é de apenas R$ 250 mil no total (não R$ 300 mil).

Importante: Tem um limite GERAL de R$ 1 milhão por CPF a cada 4 anos. Ou seja, se você teve que acionar o FGC e recebeu R$ 250 mil agora, só pode receber mais R$ 750 mil nos próximos 4 anos (somando todas as quebras de banco que acontecerem).

O Que Isso Significa Na Prática Pro Investidor?

Vamos direto ao ponto: CDBs pagando 115-120% do CDI vão ficar raros.

Já tá acontecendo. Dados da Quantum Finance mostram que em agosto de 2025 (logo depois do anúncio das mudanças), a taxa média de CDB caiu:

  • CDB 3 meses: De 100,4% do CDI pra 99,9% do CDI
  • CDB 24 meses: De 99,6% do CDI pra 99% do CDI

E nenhum CDB novo passou de 107% do CDI em agosto.

Traduzindo: os bancos já estão se ajustando ANTES mesmo das regras entrarem em vigor.

Cenário Provável em 2026:

Bancos grandes (Itaú, Bradesco, Santander):

  • Vão continuar pagando entre 95-102% do CDI
  • Nada muda pra eles (já eram conservadores)

Bancos médios:

  • Devem pagar entre 100-110% do CDI
  • Alguns ainda vão oferecer uns 112-115%, mas raramente

Bancos pequenos:

  • Aqueles que pagavam 120-130% do CDI? Esquece.
  • Vão ter que se contentar com 105-110% no máximo
  • Ou simplesmente vão parar de captar tanto via CDB

Impacto nos Seus Investimentos:

Se você tinha uma estratégia de “pegar CDB de banco pequeno pagando 120% do CDI e contar com a garantia do FGC”, essa estratégia tá com os dias contados.

O que fazer:

Aproveite AGORA: Até junho de 2026, ainda dá pra pegar alguns CDBs pagando acima de 110% do CDI. Se você confia no banco e tá dentro do limite do FGC, pode ser uma boa.

Diversifique entre bancos de grupos diferentes: Lembra que o limite é por conglomerado? Espalha teu dinheiro em bancos de grupos diferentes.

Compare sempre com o Tesouro Direto: Se o CDB paga 102% do CDI e o Tesouro Selic paga 100% do CDI (que é basicamente a Selic), o CDB só vale a pena se você NÃO precisar de liquidez.

Reavalie banco pequeno: CDB de banco pequeno pagando 106% do CDI vale o risco? Talvez não. Tesouro Direto paga 100% sem risco NENHUM.

Vale a Pena Investir em CDB Depois de 2026?

SIM, mas com critério.

CDB não vai acabar. Só vai ficar mais “normalizado”.

A grande mudança é que você não vai mais encontrar aquelas ofertas “milagrosas” de 120-130% do CDI.

E sinceramente? Isso é até bom.

Porque aquelas taxas altas vinham COM RISCO. O banco tava fazendo malabarismo financeiro pra conseguir pagar. Se desse ruim, você dependia do FGC.

Agora, com as novas regras, os bancos vão ser forçados a serem mais conservadores. Isso é mais segurança pro sistema todo.

Quando o CDB Ainda Faz Sentido:

1. Quando paga acima do Tesouro Direto + prêmio pela falta de liquidez

Exemplo:

  • Tesouro Selic: 100% do CDI (liquidez diária)
  • CDB 2 anos: 108% do CDI (sem liquidez)

Vale a pena? Depende. 8% a mais por ano pra você deixar o dinheiro preso 2 anos pode fazer sentido se você tem certeza que não vai precisar.

2. LCI e LCA (isentos de IR)

Esses ainda valem muito a pena.

Mesmo pagando 85-90% do CDI, como são isentos de Imposto de Renda, o rendimento líquido fica próximo de um CDB de 100-105% do CDI.

Faça as contas sempre comparando líquido vs líquido.

3. Diversificação da carteira

Ter TUDO no Tesouro Direto? Não é ideal.

Ter 30-40% em CDBs de bancos sólidos (grandes) pagando 100-105% do CDI faz sentido pra diversificar risco emissor.

E As “Caixinhas” e “Porquinhos” dos Bancos?

Boa pergunta.

Muitos bancos digitais oferecem aquelas caixinhas de investimento que rendem 120%, 130%, até 150% do CDI, mas com limite de valor (tipo R$ 1.000 ou R$ 5.000).

Esses devem continuar.

Por quê? Porque o banco limita o valor. Ele não tá correndo risco de captar bilhões a 150% do CDI. Tá oferecendo isso só pra um valor pequeno como estratégia de marketing.

Então essas promoções pontuais provavelmente vão continuar existindo.

Devo Tirar Meu Dinheiro do CDB Agora?

Calma. Não precisa de pânico.

Se você já tem CDB contratado, ele continua valendo. As novas regras não afetam contratos antigos.

Ou seja:

  • CDB contratado em 2024 pagando 120% do CDI? Continua pagando até o vencimento.
  • CDB contratado em 2025 pagando 115% do CDI? Idem.

O que muda são os CDBs NOVOS que os bancos vão emitir depois de junho de 2026.

Quando faz sentido sair:

❌ Se o banco tá dando sinais de problemas (notícias ruins, dificuldade de resgate)
❌ Se você concentrou TUDO num banco pequeno (diversifica)
❌ Se você tem mais de R$ 250 mil num mesmo conglomerado (passa do limite do FGC)

Quando faz sentido ficar:

✅ Se o banco é sólido (grande ou médio com boa reputação)
✅ Se você tá dentro do limite de R$ 250 mil por conglomerado
✅ Se a taxa ainda compensa vs Tesouro Direto
✅ Se você não precisa do dinheiro antes do vencimento

Alternativas ao CDB em 2026

Com CDB pagando menos, onde colocar o dinheiro?

1. Tesouro Direto

Continua sendo a base. Risco zero (governo federal), liquidez boa, rentabilidade competitiva.

  • Reserva de emergência: Tesouro Selic
  • Médio prazo (2-5 anos): Tesouro Prefixado ou IPCA+
  • Longo prazo (5+ anos): Tesouro IPCA+ com juros semestrais

2. LCI e LCA

Isentos de IR. Mesmo pagando 85-90% do CDI, o líquido compensa.

Fique de olho nas ofertas. Alguns bancos oferecem LCI/LCA pagando acima de 90% do CDI.

3. Debêntures Incentivadas

Também isentas de IR. Risco um pouco maior (empresa privada), mas retorno bom.

Exemplo: Debênture de empresa de infraestrutura pagando IPCA + 7% isento de IR.

4. Fundos de Renda Fixa

Se você não quer ficar escolhendo CDB por CDB, um fundo de renda fixa de taxa de administração baixa (menos de 0,5% ao ano) pode fazer sentido.

O gestor escolhe os melhores CDBs, LCIs, debêntures, e você só acompanha.

5. CRI e CRA (com cuidado)

Certificados de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio.

Isentos de IR, costumam pagar IPCA + 8-10%.

Mas atenção: NÃO TÊM garantia do FGC. Você precisa confiar na empresa emissora.

Só invista se entender o risco.

Checklist: O Que Fazer AGORA

Até Junho de 2026:

  • Aproveite CDBs acima de 110% do CDI (se ainda achar e confiar no banco)
  • Revise sua carteira: Tem mais de R$ 250 mil num conglomerado? Diversifique.
  • Compare tudo com Tesouro Direto

A Partir de Junho de 2026:

  • Aceite a nova realidade: CDB vai pagar entre 100-110% do CDI
  • Diversifique mais: Tesouro, LCI/LCA, Debêntures incentivadas
  • Priorize bancos sólidos

Sempre:

  • Não concentre tudo num lugar só
  • Respeite o limite do FGC (R$ 250 mil por conglomerado)
  • Compare rentabilidade LÍQUIDA (depois de IR)
  • Mantenha reserva de emergência em ativo com liquidez

Conclusão

As regras do FGC vão mudar. CDBs gordos vão ficar raros.

Mas não é o fim do mundo. É só adaptação.

O investidor esperto se ajusta ao cenário, aproveita as oportunidades que aparecem, e continua fazendo o dinheiro trabalhar.

CDB, Tesouro, LCI, debênture… no final, o que importa é consistência e inteligência nas escolhas.

E isso nenhuma regulação muda.


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